Cultura da Pressa e Autoabandono: O Que Estamos Perdendo?
- Sergio Duarte

- 20 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Um olhar humanista sobre os custos invisíveis do ritmo acelerado da vida contemporânea

Vivemos uma era marcada pela pressa — uma pressa que invade cada aspecto do cotidiano, do trabalho às relações pessoais, das decisões mais simples às grandes escolhas. A cultura da pressa valoriza a rapidez, a produtividade imediata, a eficiência acima de tudo. Mas, para a Psicologia Humanista, essa pressa desenfreada carrega consigo um preço profundo e pouco falado: o autoabandono.
Autoabandono é o ato de negligenciar as próprias necessidades físicas, emocionais e existenciais em prol de uma demanda externa incessante. É desistir de se ouvir, de cuidar de si mesmo, de respeitar seus ritmos naturais e seus limites. É colocar o “fazer” acima do “ser” e perder contato com a própria essência.
Quando nos deixamos levar pela pressa constante, abrimos mão da presença plena — o estar consigo mesmo e com o mundo, de forma consciente e aberta. Perdemos a capacidade de viver os momentos com profundidade e de nos nutrir nas pequenas experiências do cotidiano: um silêncio, um olhar, uma conversa verdadeira, um instante de descanso. O que era para ser vida se transforma em um fluxo impessoal e acelerado.
A Psicologia Humanista, baseada na valorização da experiência subjetiva e do potencial humano para o crescimento, nos convida a refletir sobre o que realmente significa viver bem. Viver não é simplesmente cumprir tarefas ou alcançar metas. É cultivar a autenticidade, a conexão consigo e com os outros, a sensibilidade para perceber o que nos alimenta e o que nos esgota.
Ao ceder à pressa, corremos o risco de nos perder. A fragmentação interna aumenta, a ansiedade cresce, o sentido da vida parece escapar por entre os dedos. O autoabandono não é um ato consciente, mas uma consequência do ritmo que não respeita a humanidade em sua plenitude.
Por isso, o que estamos perdendo nessa cultura da pressa não é apenas tempo — é a nós mesmos. Perdemos o direito de ser inteiros, de sentir, de experimentar o mundo com profundidade. Perdemos a oportunidade de nos curar, de crescer, de nos reinventar.
Para resgatar o equilíbrio, a Psicologia Humanista propõe o cultivo da presença consciente e do autocuidado genuíno. Propõe que nos permitamos desacelerar, que abramos espaço para o silêncio interno, que escutemos nossas emoções e necessidades sem julgamento. Que nos lembremos de que somos seres humanos, não máquinas.
A liberdade verdadeira nasce quando nos damos permissão para pausar, para sentir, para existir além da produtividade. E é nesse espaço de acolhimento interno que reencontramos nossa dignidade, nosso valor e nossa capacidade de viver de forma mais plena e autêntica.
Em última análise, o convite é para que nos perguntemos:
“Estou vivendo minha vida ou apenas correndo atrás dela?”
“O que eu realmente preciso para me sentir inteiro?”
“Que escolhas posso fazer para respeitar minha humanidade?”
Responder a essas perguntas é um passo essencial para romper com a cultura da pressa e abraçar uma vida que valorize o ser antes do fazer — um caminho que nos reconecta com o que realmente importa.



