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Pânico e ataques de ansiedade: estratégias de enfrentamento e aceitação

  • Foto do escritor: Sergio Duarte
    Sergio Duarte
  • 20 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura
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Os ataques de pânico e os episódios intensos de ansiedade são experiências que, para quem os vive, muitas vezes parecem inexplicáveis, incontroláveis e até mesmo assustadoras. Eles surgem de maneira abrupta, tomam o corpo de assalto e podem gerar uma sensação de morte iminente, despersonalização ou perda de controle. Contudo, para a Psicologia Humanista, tais manifestações não são “erros” do funcionamento mental, mas sinais profundos de sofrimento psíquico e emocional que precisam ser ouvidos com sensibilidade, e não reprimidos.

O enfoque humanista parte do princípio de que todo sintoma é uma tentativa do ser de comunicar algo que ainda não encontrou palavras. Nesse sentido, o pânico pode ser visto como o clímax de emoções acumuladas, de necessidades emocionais negligenciadas e de um distanciamento progressivo da própria autenticidade. Ele surge, muitas vezes, em contextos onde a pessoa sente que perdeu o controle sobre sua vida, que está desconectada de si mesma ou que precisa manter uma aparência de força que não condiz com sua realidade interior.

Portanto, o primeiro passo no enfrentamento humanista dos ataques de pânico e ansiedade não é o controle, mas a compreensão. Não se trata de combater o sintoma, mas de ouvir o que ele tem a dizer. O psicólogo humanista oferece ao cliente um espaço seguro e livre de julgamentos, onde a experiência emocional pode ser trazida à tona com acolhimento e empatia. Nesse espaço, a pessoa pode começar a nomear sua angústia, a reconhecer os gatilhos emocionais e a perceber que não está sozinha — e que sua dor é legítima.

Entre as estratégias de enfrentamento, o humanismo valoriza práticas que favoreçam a reconexão com o corpo e com o momento presente, como a respiração consciente, o uso de âncoras sensoriais e o cultivo de pequenas rotinas de autocuidado. Mas essas práticas só ganham sentido quando são personalizadas e significativas para o indivíduo — quando ele entende o porquê de aplicá-las e as escolhe como parte de um processo de reconciliação consigo mesmo.

Além disso, um aspecto fundamental é o desenvolvimento da autoaceitação. O ataque de pânico não define quem a pessoa é. A ansiedade não é um defeito, mas uma forma do corpo e da psique alertarem sobre algo que precisa de atenção. Acolher-se com compaixão, em vez de lutar contra si, é um movimento profundamente curativo. É a partir dessa aceitação que o medo começa a perder seu poder paralisante e se transforma em matéria-prima para o crescimento.

A Psicologia Humanista acredita na capacidade inata de autorregulação e transformação do ser humano. Mesmo diante de crises intensas, existe uma parte sábia dentro de cada pessoa que busca equilíbrio, sentido e paz. O papel do terapeuta é ajudar a acessar essa parte — não impondo soluções, mas caminhando junto, com presença e escuta.

Em um mundo que muitas vezes exige rapidez e nega o sofrimento, oferecer espaço para que o medo seja escutado é um ato profundamente humano. E é nesse espaço — de escuta, aceitação e respeito — que o pânico deixa de ser um inimigo e passa a ser um mensageiro. Um convite para o reencontro com a vida vivida com mais verdade, presença e cuidado.

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