Desmistificando a psicoterapia: Como ela funciona e o que esperar
- Sergio Duarte

- 20 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Uma visão humanista sobre o processo terapêutico

Vivemos em uma sociedade que, aos poucos, começa a falar com mais naturalidade sobre saúde mental. Ainda assim, muitos carregam dúvidas, receios e até preconceitos sobre a psicoterapia. Para alguns, é algo distante; para outros, um último recurso em tempos de crise. Como psicólogo humanista, acredito ser essencial desmistificar esse processo — compreendê-lo como um espaço de acolhimento, escuta genuína e crescimento pessoal.
Na perspectiva humanista, não vemos o ser humano como um conjunto de sintomas ou como alguém a ser consertado. Cada pessoa que chega ao consultório é única, com sua história, seus valores, seus conflitos e sua busca por sentido. A psicoterapia é, antes de tudo, um encontro autêntico entre duas pessoas: terapeuta e cliente. Nesse encontro, não há julgamentos nem respostas prontas. Há escuta, presença e abertura para o que emerge.
Diferente do que muitos imaginam, a psicoterapia não é um processo linear ou baseado em receitas. Na abordagem humanista, especialmente na Abordagem Centrada na Pessoa (a minha proposta terapêutica), o foco está na relação terapêutica como principal instrumento de transformação. O terapeuta não assume o papel de especialista que detém o saber, mas sim o de um facilitador — alguém que caminha ao lado, que oferece um espaço seguro para que o cliente entre em contato com sua própria verdade.
As sessões são construídas a partir da experiência do cliente. Não se trata apenas de falar sobre problemas, mas de reconhecer emoções, nomear conflitos internos, refletir sobre escolhas e, principalmente, reconectar-se consigo mesmo. Nesse processo, o cliente desenvolve maior consciência de si, fortalece sua autoestima e amplia sua capacidade de lidar com os desafios da vida.
Esperar perfeição, respostas imediatas ou "cura" pode gerar frustração. O que se pode esperar, de forma realista e esperançosa, é um espaço de acolhimento e transformação gradual. A psicoterapia humanista valoriza o tempo de cada um, respeita os silêncios, acolhe as lágrimas e também celebra os pequenos avanços.
É possível que o cliente se sinta estranho nas primeiras sessões — afinal, não estamos acostumados a sermos ouvidos de forma tão profunda. Mas, com o tempo, a confiança cresce, e o processo se torna mais natural. A partir desse vínculo, a mudança acontece de dentro para fora. Não por imposição, mas porque a pessoa, ao se sentir aceita como é, ganha força para ser quem deseja ser.
Psicoterapia não é só para quem tem "problemas graves". Não é sinal de fraqueza. Pelo contrário: procurar terapia é um ato de coragem e responsabilidade consigo mesmo. É escolher olhar para dentro, quando seria mais fácil continuar ignorando a dor. É assumir o protagonismo da própria história, mesmo que isso envolva revisitar feridas e enfrentar medos.
Outro mito comum é a ideia de que o terapeuta vai “dizer o que fazer”. Na abordagem humanista, acreditamos que as respostas mais importantes já estão dentro da pessoa. O papel do terapeuta é ajudar a iluminar caminhos, não ditar rotas.
Desmistificar a psicoterapia é permitir que mais pessoas tenham acesso a um cuidado profundo, transformador e genuíno. É compreender que a psicoterapia não é um luxo, mas um direito — um espaço onde podemos ser inteiros, contraditórios, vulneráveis e humanos.
Aos que sentem o chamado, deixo um convite: permita-se viver essa experiência. Talvez você não encontre todas as respostas, mas certamente encontrará a si mesmo.



